Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade – TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, mais conhecido por TDAH, é um transtorno caracterizado por três tipos de sintomas, que são: a desatenção, a agitação (hiperatividade) e a impulsividade. É o distúrbio mais comum encontrado na infância e para que o diagnóstico seja realizado corretamente é necessário que estejam presentes seis ou mais sintomas de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade descritos abaixo:

Desatenção:

a) Freqüentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras;

b) Com freqüência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdica;

c) Freqüentemente parece não escutar quando lhe dirigem a palavra;

d) Freqüentemente não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres no trabalho (que não seja devido à dificuldade de entender as instruções);

e) Com freqüência tem dificuldades em organizar tarefas e atividades;

f) Com freqüência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (ex: tarefas escolares e deveres de casa);

g) Freqüentemente perde coisas necessárias para as tarefas e atividades (tais como brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais);

h) É facilmente distraído por estímulos não relacionados à tarefa;

i) Com freqüência apresenta esquecimentos em atividades diárias.

Hiperatividade:

a) Freqüentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira;

b) Freqüentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou em outras situações nas quais se espera que permaneça sentado;

c) Freqüentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado;

d) Com freqüência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer;

e) Está freqüentemente “a mil” ou muitas vezes age como se estivesse “a todo vapor”;

f) Freqüentemente fala em demasia.

Impulsividade:

a) Freqüentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas;

b) Com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez;

c) Freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por ex., intromete-se em conversas ou brincadeiras).

Além da dificuldade em focarem sua atenção em uma determinada situação, as crianças com TDAH têm certa dificuldade em seguir regras, concordar com solicitações e não conseguem gerenciar e controlar o seu comportamento tão bem quanto as outras pessoas. Já bem cedo, estas crianças são descritas como mais agitadas do que a maioria da sua idade, precisando ser constantemente vigiadas, pois estão sempre “aprontando alguma”, com conseqüências mais graves do que é esperado para a idade. Essas crianças tendem a ser relatadas pelos pais como tendo sido bebês difíceis, chorosos, irritadiços e, posteriormente, quando ingressam na pré-escola, por volta dos três ou quatro anos de idade, parece que as ameaças de punições feitas pelos pais e as promessas de recompensas exercem pouco impacto sobre sua maneira de se comportar, o que pode gerar estresse e frustração familiar.

Além da presença dos sintomas é preciso que os comportamentos acima descritos tenham ocorrido por pelo menos seis meses com persistência e que estejam presentes antes dos sete anos de idade, causando um grau de prejuízo significativo e que sejam observados em pelo menos dois ambientes da vida da criança como, por exemplo, em casa e na escola.

Os sintomas de desatenção/hiperatividade com início em idade mais avançada após um desenvolvimento normal ou devido a um estresse muito forte, como por exemplo, separação dos pais, perda de entes queridos, mudança de colégio, em geral, não são indícios de TDAH.

Devido a todos estes problemas apresentados (sociais, comportamentais, acadêmicos e afetivos), as crianças com TDAH normalmente apresentam baixa auto-estima, baixa tolerância à frustração, e podem apresentar sintomas de ansiedade, depressão, e outras complicações.

A prevalência do TDAH é estimada de 3,5% a 8% em diversos países do mundo, incluindo o Brasil. Isso significa que aproximadamente uma entre cada 20 a 30 crianças apresentará os sintomas. As causas para este distúrbio ainda não estão claras, o que se sabe é que possivelmente existem influências de fatores genéticos, problemas familiares e ambientais.

Para o tratamento deste transtorno é fundamental o trabalho conjunto entre psicoterapia, medicação e psicopedagogia. O psicólogo atuará na importante orientação aos pais e à escola, informando-lhes sobre o que é o distúrbio e em como melhorar a interação com a criança. Além disso, a terapia tem como objetivo obter melhoras no comportamento infantil, nas suas interações sociais e na sua qualidade de vida, por meio de estratégias que favorecerão o aprimoramento e desenvolvimento das habilidades da criança.