Esquizofrenia

A Esquizofrenia é classificada como um transtorno psicótico, de evolução crônica e com um início típico durante a adolescência e início da idade adulta. Os custos pessoais e sociais da esquizofrenia são extremamente elevados, sendo fundamental a intervenção precoce, que oferece benefícios substanciais para os pacientes, seus familiares e a comunidade em geral.

Os aspectos essenciais da Esquizofrenia são um misto de sinais e sintomas característicos em que pelo menos 2 deles estiveram presentes por um período de tempo significativo durante 1 mês, com alguns sinais do transtorno persistindo por pelo menos 6 meses. Esses sinais e sintomas estão associados a um acentuado prejuízo social ou ocupacional.

Os sintomas característicos enquadram-se em duas amplas categorias – positivos e negativos: os positivos parecem refletir um excesso ou distorção de funções normais, como exageros do pensamento (delírios), da percepção (alucinações), da linguagem e comunicação (discurso desorganizado) e do comportamento (comportamento amplamente desorganizado ou catatônico). Os negativos parecem refletir uma diminuição ou perda de funções normais e abrangem o embotamento afetivo, alogia ou avolição.

- Delírios: são crenças errôneas, habitualmente envolvendo a interpretação falsa de percepções ou experiências. Seu conteúdo pode incluir uma variedade de temas (de perseguição, de referência, somáticos, religiosos ou grandiosos). Os delírios de perseguição são os mais comuns; neles a pessoa acredita estar sendo atormentada, seguida, enganada, espionada ou ridicularizada.

- Alucinações: são percepções de um objeto sem que este esteja presente; podem ser auditivas, visuais, olfativas, gustativas e táteis, mas as alucinações auditivas são, de longe, as mais comuns e características da Esquizofrenia, sendo geralmente experimentadas como vozes conhecidas ou estranhas, que são percebidas como distintas dos pensamentos da própria pessoa.

- Discurso desorganizado: a pessoa salta de um assunto para outro; as respostas não fazem sentido ou não ter relação alguma com as perguntas.

- Comportamento amplamente desorganizado ou catatônico: um comportamento desorganizado pode manifestar-se indo desde o comportamento tolo e infantil até a agitação imprevisível, acarretando dificuldades no desempenho de atividades da vida diária, tais como organizar as refeições ou manter a higiene. A pessoa pode parecer mostrar-se acentuadamente desleixada, vestir-se de modo incomum (usar casacos sobrepostos em um dia quente), pode exibir um comportamento sexual nitidamente inadequado (masturbar-se em público) ou uma agitação imprevisível (gritar ou praguejar).

Os comportamentos motores catatônicos incluem uma diminuição acentuada na reação ao ambiente, às vezes alcançando um grau extremo de completa falta de consciência, manutenção de uma postura rígida e resistência aos esforços de mobilização, resistência ativa a instruções, adoção de posturas inadequadas, ou excessiva atividade motora sem propósito e não estimulada.

- Embotamento afetivo: diminuição na habilidade de expressar-se emocionalmente.

- Alogia: significa pobreza do discurso e é manifestada por respostas breves, lacônicas e vazias. A alogia deve ser diferenciada da recusa a falar.

- Avolição: caracteriza-se por incapacidade de iniciar e persistir em atividades dirigidas a um objetivo. A pessoa pode ficar sentada por longos períodos de tempo e demonstrar pouco interesse em participar de atividades profissionais ou sociais.

As causas para a Esquizofrenia encontram-se em fatores genéticos; desta forma, os parentes biológicos de indivíduos com esquizofrenia têm um risco maior de desenvolver o transtorno e distúrbios relacionados. Como a doença compromete a vida do portador, torna-o frágil diante de situações estressantes e aumenta o risco de suicídio, é fundamental um acompanhamento a longo prazo.

O tratamento envolve uma equipe multidisciplinar – psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais e instituições – a assistência da família e tem por objetivo principal a prevenção de recaídas, recuperação das habilidades sociais perdidas, diminuição do isolamento, incentivo a cuidar das atividades da vida diária (higiene, banho, alimentação, horas de sono, lazer), diminuição do estresse familiar e até promover a volta ao trabalho. É importante não interromper a medicação, pois cada recaída comprometerá a vida do paciente um pouco mais. As estratégias do tratamento variam conforme o paciente, sua família, a fase e a gravidade da doença.